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Cristo Redentor: De braços abertos sobre o Rio

                           

O sonho no alto do Corcovado

A ideia de erguer uma imagem religiosa no topo do Morro do Corcovado remonta ao século XIX — um gesto que atravessou regimes, desacordos e uma cidade em transformação. A proposta inicial surge ligada ao fervor religioso de líderes católicos e a uma paisagem natural que parecia pedir um signo humano: uma figura que protegesse a cidade, de braços abertos, como se recebesse quem chegasse.

Do projeto à imagem — quem fez o Cristo

O projeto foi idealizado pelo engenheiro brasileiro Heitor da Silva Costa, que desenhou a silhueta monumental. Para a execução artística, Silva Costa chamou o escultor franco-polonês Paul Landowski, responsável por esculpir a cabeça e as mãos em ateliê na França. O revestimento externo em placas de pedra-sabão assegura durabilidade e um acabamento suave, ideal para a escultura exposta ao vento e às chuvas marítimas.

Construção do Cristo 

Os moldes foram confeccionados na França e embarcados para o Brasil; a montagem final aconteceu no Corcovado, entre 1926 e 1931. Em 12 de outubro de 1931, a escultura foi inaugurada, em uma cerimônia que reuniu autoridades, religiosos e milhares de cariocas.

Um presente dos brasileiros (e uma colaboração francesa)

Embora a participação de artistas franceses tenha alimentado a ideia de que o Cristo seria um "presente da França", a obra foi majoritariamente financiada por doações brasileiras e organizada pela Arquidiocese do Rio de Janeiro. A presença francesa foi técnica e artística: Landowski e outros profissionais contribuíram com conhecimento e mão de obra especializada, mas o monumento é resultado do esforço coletivo brasileiro e da fé de seus doadores.

Parque Nacional da Tijuca e proteção ambiental

O Corcovado está inserido no Parque Nacional da Tijuca, uma das maiores florestas urbanas do mundo. A área, replantada e recuperada desde o século XIX, oferece proteção à biodiversidade local e funciona como um pulmão verde para o município. A presença do Cristo naquele cenário fortalece o diálogo entre cultura, história e natureza, tornando a visita também uma experiência ambiental.

Floresta do Parque Nacional da Tijuca

Como chegar: trem, van, carro e voo panorâmico

Existem várias formas de chegar ao Cristo Redentor, cada uma oferecendo uma experiência única:

  • Trem do Corcovado: partida do Cosme Velho — viagem de aproximadamente 20 minutos por trilhos que serpenteiam pela Mata da Tijuca; é a opção mais tradicional e fotogênica.
Trem do Corcovado subindo em direção ao Cristo
  • Vans oficiais: saem de pontos estratégicos (Largo do Machado, Copacabana, Paineiras) e são operadas por empresas credenciadas ao Parque Nacional, o que ajuda a controlar o fluxo turístico e preservar o ambiente.
  • Carro particular: permite subir até o Centro de Visitantes Paineiras, onde há estacionamento; do centro, o transporte até a plataforma do monumento é feito por vans oficiais.
  • Helicóptero: há empresas que oferecem voos panorâmicos que circulam ao redor do Cristo Redentor, proporcionando uma vista privilegiada do monumento e da paisagem carioca.
  • Paraglider: aventureiros também podem sobrevoar o Cristo partindo das rampas de voo livre da Pedra Bonita, no Parque da Tijuca, apreciando de perto a grandiosidade do monumento durante o voo.

Cristo Redentor hoje — entre a fé e o turismo

Eleito uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo Moderno em 2007, o Cristo Redentor é um cartão-postal global. Ao mesmo tempo, mantém sua vocação religiosa: missas e cerimônias acontecem no local, e muitos visitantes vão até lá em busca de uma experiência espiritual. O monumento também funciona como palco para eventos culturais e celebrações cívicas.

Manutenção e desafios

Manter uma obra tão exposta às intempéries exige monitoramento e intervenções periódicas. Restaurações, limpeza e pequenos reparos são rotina — o uso da pedra-sabão facilita a manutenção, mas os esforços para controlar o acesso de turistas e a pressão sobre a área natural são constantes.

Equipes especializadas realizam inspeções frequentes, especialmente após fortes chuvas ou ventos. As microfissuras na pedra-sabão são cuidadosamente tratadas para evitar infiltrações, e cada placa substituída é recortada manualmente, respeitando o padrão original. Além disso, projetos de sustentabilidade e controle de impacto ambiental buscam garantir que o monumento continue de pé, preservando sua integridade por muitas gerações.

O Cristo na paisagem carioca

Da orla às favelas, da Zona Sul à Zona Norte, a silhueta do Cristo Redentor é um ponto de referência quase onipresente no horizonte do Rio de Janeiro. Ele é, ao mesmo tempo, marca de pertencimento e um lembrete diário da complexa história da cidade — seu passado colonial, suas desigualdades e suas belezas naturais.


O Cristo visto por toda a cidade

Visitar o Cristo Redentor é mais do que um passeio turístico: é uma experiência que une espiritualidade, natureza e cultura. O monumento convida todos, brasileiros e estrangeiros, a sentirem de perto a energia única do Rio de Janeiro — uma cidade abençoada, literalmente, de braços abertos. Venha conhecer o Cristo Redentor e deixe-se envolver por sua grandiosidade e paz.

Créditos: Texto por Alexandre Cunha — O Blog do Rio

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