Seu hotel está preparado para ser recomendado pela inteligência artificial?

   

Durante anos, a pergunta de quem trabalhava com marketing hoteleiro foi bastante simples: “Em que posição meu hotel aparece no Google?” Depois vieram as OTAs, como Booking.com e Expedia, e a preocupação passou a ser outra: “Como faço para aparecer entre as opções que o viajante está pesquisando?”

Agora, uma nova mudança está acontecendo — e talvez seja uma das mais importantes dos últimos anos.

O viajante já não precisa necessariamente pesquisar dezenas de hotéis, abrir sites, comparar avaliações e montar sua própria lista. Ele pode simplesmente perguntar a uma inteligência artificial:

“Qual é o melhor hotel para ficar em determinada cidade?”

Ou:

“Qual pousada é melhor para um casal que quer tranquilidade e ficar perto da praia?”

A resposta vem pronta. Em vez de uma página cheia de links, a IA pode apresentar alguns nomes e explicar por que cada estabelecimento seria adequado.

E aqui surge um problema importante para hotéis independentes e pequenas pousadas: como competir com empresas gigantes que possuem milhões de páginas, milhares de avaliações, enorme presença digital e grandes investimentos em marketing?

A boa notícia é que a resposta não precisa ser simplesmente “pague para aparecer”.

A inteligência artificial precisa de motivos para recomendar seu hotel

Quando uma IA recomenda um hotel, ela precisa reunir informações disponíveis em diferentes lugares: Google, plataformas de avaliações, sites de viagem, OTAs, páginas do próprio hotel, conteúdos publicados por terceiros e outras fontes. Pesquisas recentes sobre visibilidade de hotéis em mecanismos de IA apontam justamente para a importância dessa presença distribuída e consistente na internet.

Isso muda a lógica da divulgação.

Não basta mais ter um site bonito. Não basta ter uma página no Instagram. E também não basta ter uma nota alta em uma plataforma de reservas.

O hotel precisa construir uma identidade digital clara e confiável.

Nome, endereço, localização, categoria, tipos de quarto, comodidades, fotos, diferenciais e informações de contato devem aparecer corretamente e de maneira consistente nas principais plataformas.

Se em um lugar o hotel é apresentado como uma pousada romântica no centro, em outro aparece como um hotel econômico distante das atrações e no próprio site não fica claro para quem ele é indicado, a inteligência artificial terá dificuldade para entender exatamente qual é o posicionamento daquele estabelecimento.

Avaliações são muito mais do que uma nota

Ter boas avaliações continua sendo fundamental. Mas existe uma diferença entre simplesmente possuir uma nota 4,8 e possuir centenas de avaliações que explicam por que os hóspedes gostam daquele hotel.

Comentários como “excelente” ou “muito bom” dizem pouco.

Já avaliações que mencionam atendimento, localização, café da manhã, tranquilidade, proximidade de determinada atração, estrutura para crianças, vista, limpeza ou experiência romântica fornecem informações muito mais úteis.

Uma pesquisa acadêmica publicada em 2026 encontrou influência significativa da reputação e da avaliação dos hóspedes nas recomendações feitas por modelos de IA.

Por isso, estimular hóspedes satisfeitos a deixarem avaliações espontâneas e verdadeiras continua sendo uma das estratégias mais importantes — e acessíveis — para um pequeno hotel.

Seu site precisa responder perguntas, não apenas vender quartos

Outro erro comum é construir um site pensando apenas em apresentar quartos e tarifas.

O hotel deveria também responder às perguntas que um viajante faria a uma pessoa experiente da região.

É um bom hotel para famílias? É possível conhecer as principais atrações caminhando? Fica perto da praia? É indicado para uma viagem romântica? Existem bons restaurantes próximos? É adequado para quem viaja a trabalho? Fica próximo ao centro de eventos?

Esse tipo de conteúdo ajuda o viajante e, ao mesmo tempo, ajuda os mecanismos de IA a compreenderem o contexto do hotel.

O objetivo deixa de ser apenas dizer “somos um excelente hotel” e passa a ser explicar claramente “somos uma excelente opção para este tipo de viajante e para esta situação”.

O pequeno hotel não precisa vencer a Booking

Talvez essa seja a parte mais importante de toda essa transformação.

Um hotel independente não precisa tentar aparecer antes da Booking.com quando alguém pergunta simplesmente “quais são os melhores hotéis de uma cidade?”.

As grandes plataformas possuem uma vantagem enorme em escala.

A oportunidade está em outra direção: ser a melhor resposta para perguntas específicas.

Imagine, por exemplo:

“Qual é uma pousada tranquila para casal perto da praia?”

“Onde ficar em determinada cidade sem precisar usar carro?”

“Qual hotel é indicado para famílias com crianças perto de determinada atração?”

“Onde se hospedar perto do centro de convenções?”

É nesse território que um pequeno estabelecimento pode competir.

Quanto mais claramente o hotel definir suas características, seu público e seu contexto local, mais informações terá a inteligência artificial para associá-lo a determinadas necessidades.

Aposte em detalhes que só você, local, conhece e coloque no seu site, assim quando uma IA estiver pesquisando aquela pergunta seu site tenha a resposta e certamente aparecerá na resposta que ela dará ao cliente.

A nova disputa é pela recomendação

Estamos entrando em uma fase em que não basta mais ser encontrado. É preciso ser considerado uma resposta.

SEO continua importante. Google continua importante. Booking, Expedia, Tripadvisor e outras plataformas continuam importantes.

Mas surge uma nova camada: a chamada GEO — Generative Engine Optimization, ou otimização para mecanismos de resposta generativa.

E ela não deveria ser vista como uma coleção de truques para “enganar” a IA.

É justamente o contrário.

O hotel precisa fazer o trabalho que sempre deveria ter feito: ter uma boa reputação, informações corretas, conteúdo relevante, presença em fontes confiáveis, avaliações recentes e uma identidade clara.

A diferença é que agora existe um novo intermediário entre o viajante e o hotel.

E esse intermediário pode ser uma inteligência artificial.

A pergunta que todo hoteleiro deveria começar a fazer não é apenas:

“Meu hotel aparece no Google?”

Mas também:

“Se amanhã um viajante perguntar a uma IA qual é o melhor hotel para alguém como meu hóspede, ela terá informações suficientes para lembrar de mim?”

Se a resposta for não, talvez esteja na hora de começar a construir essa resposta.

Leia também: Revenue Management: vender melhor, e não simplesmente vender mais barato. & O que é Channel Manager e como ele funciona na prática?

Por Alexandre Cunha - O Blog do Rio

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